“A Minha Ajuda”: quando a coesão social se constrói a partir do comércio local

Num tempo em que o comércio tradicional enfrenta a concorrência das grandes superfícies e das plataformas digitais, há territórios que resistem com criatividade, proximidade e visão estratégica. Um desses exemplos vem da Ajuda, em Lisboa, onde uma Junta de Freguesia decidiu agir de forma concreta. Em 2018, nasceu o Cartão “A Minha Ajuda”, um projeto inovador no contexto das freguesias que combina desenvolvimento económico local, coesão social e marketing territorial.

A freguesia da Ajuda, situada na zona ocidental de Lisboa, é um território com uma identidade única, marcada pela sua forte tradição comunitária, património histórico e presença de espaços verdes emblemáticos como o Jardim Botânico da Ajuda. Com uma população diversa e enraizada, a Ajuda tem vindo a afirmar-se como um exemplo de proximidade entre a administração local e os seus cidadãos, promovendo iniciativas que reforçam a coesão social e valorizam o comércio de proximidade.

O Cartão “A Minha Ajuda” é uma iniciativa que aproxima os residentes da freguesia dos comerciantes locais. Com ele, os moradores têm acesso a descontos em mais de 100 estabelecimentos locais, que vão desde mercearias e cafés a serviços e pequenas lojas. O objetivo é simples mas ambicioso: valorizar o comércio de bairro, estimular a economia de proximidade e reforçar os laços sociais entre quem vive e trabalha na freguesia.

Como explica Jorge Marques, Presidente da Junta de Freguesia da Ajuda: “A ideia era criar uma rede de apoio entre o comércio e os fregueses. Em vez de ir ao centro comercial, a pessoa pode ir à mercearia da rua, ao café do bairro.”

O cartão é também um instrumento de coesão social. Jorge Marques sublinha que a Junta está a fazer o que pode para “tornar a freguesia mais justa, mais solidária e mais humana”. Ao incentivar os residentes a comprarem no seu bairro, reforça-se a relação entre comerciantes e fregueses, criam-se rotinas de vizinhança e fortalece-se o sentimento de pertença.

Além disso, o cartão garante entrada gratuita no Jardim Botânico da Ajuda, promovendo o acesso à cultura e ao lazer como parte da vida local. “Achámos que o cartão devia ter também uma dimensão cultural. O Jardim Botânico é um espaço magnífico e devia ser acessível a todos os moradores da Ajuda”, afirma.

Com o aumento do consumo local, muitos pequenos negócios conseguiram reforçar a sua atividade, mantendo e criando novos postos de trabalho. A empregabilidade local tornou-se um eixo fundamental deste projeto, refletindo o impacto real de uma política de proximidade sobre a vida económica da freguesia.

É relevante destacar que esta iniciativa não nasceu de uma autarquia central nem de um programa europeu, mas sim de uma Junta de Freguesia, a estrutura política mais próxima dos cidadãos. Jorge Marques é claro: “As freguesias também podem inovar. Não estamos aqui só para tapar buracos na rua. Estamos aqui para melhorar a vida das pessoas.”

O Cartão “A Minha Ajuda” é um exemplo concreto de como uma freguesia pode liderar iniciativas de marketing territorial interno com efeitos tangíveis na qualidade de vida. Com poucos recursos, mas com visão, escuta ativa e criatividade, a Junta da Ajuda demonstrou que a regeneração urbana e social pode e deve começar à escala do quarteirão.

Link: https://www.jf-ajuda.pt/autarquia/noticias/145-cartao_minha_ajuda_compre_no_comercio_local

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Sérgio Marques, especialista em Design Gráfico, Branding e Marketing Territorial

Sérgio Marques

Sérgio Marques possui mestrado em Gestão do Território e Urbanismo pela Universidade de Lisboa (IGOT), com uma dissertação na área de Marketing Territorial. Ao longo da sua carreira, adquiriu uma vasta experiência no desenvolvimento de projetos nas áreas de consultoria de marketing e design gráfico, tanto no setor privado como na administração pública. Trabalhou com o IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto), o IGAC (Inspeção Geral das Atividades Culturais) e desenvolveu o emblema e identidade visual do CD Santa Clara dos Açores, além de ter colaborado com o Centro Nacional de Cultura. A sua abordagem estratégica alia criatividade e funcionalidade, refletindo-se em identidades visuais, campanhas de marketing e soluções de design que contribuem para a promoção e valorização de territórios e marcas. Além da sua experiência em marketing e design, Sérgio também é artista plástico, tendo participado em diversas exposições e bienais, e possui o curso de pintura nível III da Sociedade Nacional de Belas Artes. A sua paixão pelo design e pelas artes é uma extensão natural da sua visão, procurando sempre criar peças que unam estética e propósito.