Brescia – quando o digital organiza o território

A Itália sempre foi uma influência na minha forma de pensar o marketing territorial. No mestrado em Gestão do Território e Urbanismo aprofundei autores italianos como Ancarani e Carioli, que trabalham o território como sistema organizado, competitivo e estrategicamente posicionado.

Na BTL visitei o stand de Bréscia e conversei com Andrea Maggioni, vice-presidente da Visit Brescia. Logo no início deixou uma ideia clara:

“O site é a nossa primeira porta de entrada. É ali que começa a experiência do visitante.”

Ao analisar o portal turístico de Bréscia percebe-se essa lógica aplicada com consistência. A informação está organizada por temas, natureza, cultura, lagos, vinho, património, com percursos estruturados e conteúdos objetivos. Não há excesso, há curadoria. O utilizador encontra rapidamente aquilo que procura e consegue construir uma visão clara do destino.

Andrea reforçou ainda a ambição do destino no digital:

“Queremos que alguém entre no site, navegue alguns minutos e sinta vontade imediata de comprar o bilhete de avião para vir a Bréscia.”

Esta afirmação coloca o digital no centro da decisão. O site não é apenas informativo; é parte ativa do processo de captação.

A componente cartográfica assume aqui um papel determinante. Como referiu:

“Quando o visitante vê tudo organizado no mapa, consegue imaginar-se no território e planear a viagem com confiança.”

O mapa interativo organiza os pontos de interesse por temática, permite visualizar distâncias, articular recursos e estruturar percursos. A experiência digital aproxima-se da experiência física.

A importância da georreferenciação: não apenas para quem visita

A informação georreferenciada tem um impacto evidente no visitante: facilita o planeamento, reduz incerteza e ajuda a estruturar itinerários. Mas o seu valor vai além disso.

Para o próprio território, a georreferenciação é uma ferramenta estratégica de gestão e decisão.

Permite identificar zonas com maior concentração de fluxos, equilibrar a promoção entre áreas centrais e periféricas, valorizar recursos menos conhecidos e criar novos circuitos temáticos. Ao organizar digitalmente os seus ativos, património, natureza, enoturismo, eventos, o destino cria também uma base estruturada que pode apoiar decisões públicas e privadas.

No caso de Brescia, essa organização articula diferentes dimensões do território: a frente sul do Lago de Garda, a região vitivinícola de Franciacorta reconhecida pelo seu espumante DOCG, o património romano classificado pela UNESCO, as paisagens naturais e uma forte tradição industrial.

A diversidade existe. O que faz a diferença é a forma como está estruturada e apresentada.

Num contexto turístico competitivo, a organização temática, a clareza da informação e a georreferenciação deixam de ser apenas questões técnicas. Tornam-se instrumentos concretos de posicionamento e gestão territorial.

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Sérgio Marques, especialista em Design Gráfico, Branding e Marketing Territorial

Sérgio Marques

Sérgio Marques possui mestrado em Gestão do Território e Urbanismo pela Universidade de Lisboa (IGOT), com uma dissertação na área de Marketing Territorial. Ao longo da sua carreira, adquiriu uma vasta experiência no desenvolvimento de projetos nas áreas de consultoria de marketing e design gráfico, tanto no setor privado como na administração pública. Trabalhou com o IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto), o IGAC (Inspeção Geral das Atividades Culturais) e desenvolveu o emblema e identidade visual do CD Santa Clara dos Açores, além de ter colaborado com o Centro Nacional de Cultura. A sua abordagem estratégica alia criatividade e funcionalidade, refletindo-se em identidades visuais, campanhas de marketing e soluções de design que contribuem para a promoção e valorização de territórios e marcas. Além da sua experiência em marketing e design, Sérgio também é artista plástico, tendo participado em diversas exposições e bienais, e possui o curso de pintura nível III da Sociedade Nacional de Belas Artes. A sua paixão pelo design e pelas artes é uma extensão natural da sua visão, procurando sempre criar peças que unam estética e propósito.