…e se o melhor Marketing Territorial vier de fora do sistema?

O caso da Costa Vicentina Oficial, que pôs a região no mapa sem apoio institucional.

Durante os meses mais sombrios da pandemia, uma luz inesperada começou a surgir nos feeds de Instagram de milhares de portugueses. Vídeos da Costa Vicentina, filmados com paixão e simplicidade, começaram a circular e a cativar o público. Mostravam mais do que paisagens: contavam histórias. Como a da senhora do bolo de batata-doce de Aljezur, que se tornou símbolo de uma região viva, autêntica e com alma.

Por detrás da câmara estava Carlo Rebelo, um apaixonado pelo Sudoeste Alentejano. Sem orçamento, sem agência, sem apoio institucional. Apenas com um telemóvel e uma vontade genuína de mostrar o território que ama. Foi assim que nasceu a página @costa_vicentina_oficial, mais tarde rebatizada como @da.provider.

Hoje, com cerca de 130 mil seguidores, esta conta é a maior do Instagram ligada à costa alentejana e vicentina — e uma das maiores páginas de turismo nacional. Mais surpreendente ainda: não pertence a nenhuma entidade oficial. Nem o Visit Alentejo, nem qualquer organismo público conseguiu o mesmo impacto orgânico.

Tive o privilégio de conhecer o Carlo precisamente por este trabalho. Na altura, estava a desenvolver um projeto para o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) e fiz questão de o envolver. Tive ainda a oportunidade de ir à Costa Vicentina com ele, participar em alguns vídeos e conhecer restaurantes e histórias locais que, de outra forma, talvez nunca tivesse descoberto. A experiência confirmou aquilo que os vídeos já transmitiam: paixão genuína pelo território e uma ligação real às pessoas.

Acredito que outras páginas — inclusive institucionais — deviam olhar com mais atenção para este tipo de abordagem. Não são necessárias grandes produções para comunicar bem. O que faz a diferença é a autenticidade, o lado humano e a capacidade de filmar com paixão.

Num tempo em que os territórios lutam por atenção e relevância, a história de Carlo Rebelo é um exemplo poderoso de marketing territorial feito de dentro para fora. Com verdade, com proximidade, e com impacto real.

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Sérgio Marques, especialista em Design Gráfico, Branding e Marketing Territorial

Sérgio Marques

Sérgio Marques possui mestrado em Gestão do Território e Urbanismo pela Universidade de Lisboa (IGOT), com uma dissertação na área de Marketing Territorial. Ao longo da sua carreira, adquiriu uma vasta experiência no desenvolvimento de projetos nas áreas de consultoria de marketing e design gráfico, tanto no setor privado como na administração pública. Trabalhou com o IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto), o IGAC (Inspeção Geral das Atividades Culturais) e desenvolveu o emblema e identidade visual do CD Santa Clara dos Açores, além de ter colaborado com o Centro Nacional de Cultura. A sua abordagem estratégica alia criatividade e funcionalidade, refletindo-se em identidades visuais, campanhas de marketing e soluções de design que contribuem para a promoção e valorização de territórios e marcas. Além da sua experiência em marketing e design, Sérgio também é artista plástico, tendo participado em diversas exposições e bienais, e possui o curso de pintura nível III da Sociedade Nacional de Belas Artes. A sua paixão pelo design e pelas artes é uma extensão natural da sua visão, procurando sempre criar peças que unam estética e propósito.