Grupos informais de Facebook e marketing territorial: vantagens para a cidadania e o território

O Cascaense - Movimento Cidadania, focado no município de Cascais e com cerca de 13 mil participantes, constitui um exemplo relevante de como os grupos informais de Facebook podem funcionar como espaços eficazes de cidadania activa. Este fórum digital promove níveis de engagement superiores aos canais institucionais formais, permitindo a partilha de problemas locais, a construção de narrativas colectivas a partir da experiência quotidiana dos seus actores.

No debate contemporâneo sobre marketing territorial, a ênfase tem recaído sobretudo nas estratégias de promoção externa dos territórios. Contudo, o marketing territorial interno assume um papel estruturante na consolidação da relação entre o território, os seus residentes e os diversos atores locais. Neste domínio, os grupos informais em redes sociais digitais, em particular no Facebook, revelam-se instrumentos relevantes de participação cívica e produção de conhecimento territorial.

Ao contrário dos canais institucionais formais, os grupos informais de Facebook caracterizam-se por uma lógica horizontal, espontânea e comunitária. Esta configuração favorece níveis de engagement superiores, traduzidos não apenas em interações frequentes, mas sobretudo em envolvimento continuado dos participantes. A ausência de uma estrutura oficial rígida permite que os cidadãos se expressem com maior liberdade, partilhando experiências do quotidiano, identificando problemas concretos e debatendo soluções a partir da vivência direta do território.

O Cascaense – Movimento Cidadania, focado no município de Cascais e com cerca de 13 mil participantes, constitui um exemplo ilustrativo deste tipo de dinâmica. Enquanto fórum digital informal, funciona como um espaço de agregação de perceções, preocupações e expectativas dos residentes, trabalhadores ou investidores em Cascais, criando uma narrativa colectiva sobre o território que dificilmente emerge através de mecanismos formais de participação.

Uma das principais vantagens destes grupos reside na sua capacidade de atuar como dispositivos de escuta territorial em tempo real. A informação partilhada é situada, contextual e frequentemente acompanhada de exemplos concretos, permitindo uma leitura fina das dinâmicas locais. Estes espaços contribuem também para o reforço do capital social, ao promoverem a interacção entre cidadãos que, de outra forma, dificilmente se cruzariam no espaço físico.

Embora não substituam os mecanismos institucionais de governação, estes grupos complementam-nos, oferecendo uma leitura mais próxima do território vivido. Ignorá-los representa uma perda de informação estratégica; reconhecê-los permite enriquecer as políticas públicas e fortalecer abordagens de marketing territorial interno mais inclusivas e alinhadas com a realidade local.

Em síntese, os grupos informais de Facebook demonstram que o território não se constrói apenas através de planos e estratégias formais, mas também através de interacções quotidianas, narrativas partilhadas e participação cívica espontânea, elementos centrais para um desenvolvimento territorial mais equilibrado e participado.

Nota do autor: sou um dos administradores do Cascaense – Movimento Cidadania e colaborei voluntariamente na criação do respectivo logótipo.

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Sérgio Marques, especialista em Design Gráfico, Branding e Marketing Territorial

Sérgio Marques

Sérgio Marques possui mestrado em Gestão do Território e Urbanismo pela Universidade de Lisboa (IGOT), com uma dissertação na área de Marketing Territorial. Ao longo da sua carreira, adquiriu uma vasta experiência no desenvolvimento de projetos nas áreas de consultoria de marketing e design gráfico, tanto no setor privado como na administração pública. Trabalhou com o IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto), o IGAC (Inspeção Geral das Atividades Culturais) e desenvolveu o emblema e identidade visual do CD Santa Clara dos Açores, além de ter colaborado com o Centro Nacional de Cultura. A sua abordagem estratégica alia criatividade e funcionalidade, refletindo-se em identidades visuais, campanhas de marketing e soluções de design que contribuem para a promoção e valorização de territórios e marcas. Além da sua experiência em marketing e design, Sérgio também é artista plástico, tendo participado em diversas exposições e bienais, e possui o curso de pintura nível III da Sociedade Nacional de Belas Artes. A sua paixão pelo design e pelas artes é uma extensão natural da sua visão, procurando sempre criar peças que unam estética e propósito.